segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

O prazer de garimpar...


Nada se compara a sensação de descobrir algo novo, algo que você não descobriu antes ou por receio de não gostar ou simplesmente por não saber onde e como procurar. E é exatamente sobre essa segunda circunstância que decidi escrever, motivado por um post do excelente blog do Zeca Camargo, altamente recomendável por sinal, no qual ele cita diversas de suas descobertas culturais ao redor do mundo. Em tempos onde cada vez mais diversos setores da cultura estão amarrados ao “modus operandi” da indústria, onde inovar é um risco que não compensa correr, garimpar novidades têm sido uma atividade divertida e quase sempre compensadora. A Internet é uma ferramenta valiosa nesse delicioso processo de descoberta, graças ao Lime Wire por exemplo, pude baixar a excelente trilha de Pequena Miss Sunshine, que continha canções suecas belíssimas que dificilmente eu ouviria na MTV ou na 98 FM. Mas a pesquisa física também é tão prazerosa quanto ficar horas fuçando na rede, nada como fuçar discos, livros e até roupas em brechós eu sebos minúsculos. A possibilidade de você encontrar alguma pérola que por algum motivo foi desprezada pela grande massa é enorme. Qual não foi minha excitação em adquirir um CD raro de B.B King numa feira de Discos em plena Avenida Paulista, onde os CD`S eram expostos em balaios daqueles de frutas e só descobrir que o CD em questão era uma raridade depois de dar uma pesquisada sobre ele na Internet? Compartilho minhas descobertas com vocês pois tão prazeroso quanto descobrir é compartilhar destas descobertas, e para quem aprecia qualquer manifestação artística que seja deixo aqui a dica. É nos lugares mais improváveis que você pode fazer gratas descobertas. E boa sorte nas buscas!

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Se é bom...é bem vindo!!


Nenhum assunto tem sido mais falado no mundo pop nesse último semestre do que a volta após quase 15 anos de uma das bandas mais influentes da história do rock. Me refiro ao The Police, trio liderado pelo carismático e rabugento Sting.
A questão que sempre é levantada quando alguma banda volta a se reunir após uma separação, de estar fazendo isso para arrecadar alguns trocados fáceis regravando clássicos ou compondo discos de inéditas, creio eu não se aplicar a volta do The Police. Além dos seus integrantes estarem bem servidos de rendimentos vindos da execução de suas músicas, todos eles tem suas atividades, ligadas ou não às artes.
Sting já deu declarações de que está fazendo isso por satisfação própria, que não queria gravar mais um álbum solo e que queria sentir de cima do palco a emoção das pessoas ao cantar suas músicas. Atribuo muita credibilidade a essas palavras pois como disse, eles realmente não precisavam fazer isso e em tempos onde pipocam bandas de qualidade duvidosa ganhando prêmios e sendo alçadas ao trono da música pop, (vide NX Zero ganhando 74839 prêmios no VMB), a reunião do trio acaba por recolocar em evidência no mainstream a boa música, que pode realmente ser chamada de vanguardista.
A presença do The Police na “pauta” atual do mundo da música é útil e providencial pois apresenta às novas gerações a oportunidade de conhecer algumas bandas que influenciaram e de certa forma moldaram os padrões da música pop, deixando involuntariamente uma estética modelo que hoje é absorvida e na maioria dos casos devolvida pelas bandas de hoje sem nada da essência que se via na “fonte” original, por assim dizer.
Conhecer o passado, as origens de tudo aquilo que admiramos hoje é essencial para desenvolvermos um senso crítico, e a ao meu ver a volta do The Police, assim como a de outras bandas importantes que se não voltaram é apenas por uma questão de tempo, é muito bem vinda, pois me traz um sentimento bom de que a música pop já foi verdadeiramente interessante e não se resumia a rapazinhos de lápis nos olhos saracoteando na TV.